Já está na hora de não chamarmos a Parada LGBT+ de parada gay


Com a vinda da 23° Parada LGBT+ em São Paulo, dia 23 de junho, vêm à tona o questionamento de por quê ainda a chamam de parada gay e não pelo devido nome. Cadê a visibilidade do L, do B, do T e dos + nos discursos? Enquanto os homens gays levam os holofotes, as mulheres lésbicas, as pessoas bissexuais, transexuais e toda gama do + são deixadas na sombra, invisíveis ou violentadas. Chamar um evento tão rico e plural de somente uma das orientações sexuais mostra como o machismo pode estar presente até dentro de uma comunidade de minoria social.

A sigla LGBT+ siginifica: Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transsexuais e o símbolo + representa a mais diversa gama de identidade de gênero e orientação sexual. Outras siglas usadas de forma mais inclusivas são LGBTQ+ e LGBTTTQQIAA, mas como a comissão organizadora do evento usa LGBT+, vou respeitar esse uso neste texto. Para quem ainda está aprendendo o que é identidade de gênero, expressão de gênero, sexo biológico e orientação sexual, segue uma ilustração que ajuda a entender um tico desses conceitos:

Como você pode notar, nós somos muito mais complexas do que se imaginava antigamente. Então por que reduzimos toda essa diversidade de pessoas que vão na Parada em uma só orientação sexual? A letra G não pode sobrepor às outras 4 letras/símbolos da sigla.

O homem bissexual é enxergado como um gay mal-resolvido, a mulher bissexual é praticamente invisível ou fetichizada, as mulheres lésbicas sofrem casos de abusos sexuais como punição ou tentativa de “cura”. Mas quem mais sofre nessa história das as mulheres trans. O Brasil é o país que mais mata mulheres trans, possuindo a expectativa de vida de apenas 35 anos, enquanto a média nacional é de 75,5 anos (IBGE).

Para entender como o machismo atua dentro da comunidade LGBT+, vamos primeiro analisar o machismo entre os próprios homens gays. Há um preconceito com os homens que têm contato mais com o seu lado sensível, menosprezando ou falando de forma pejorativa sobre os atributos que são considerados de uma mulher. Ou então, quando atributos mais “masculinos” são considerados melhores ou superiores, isso também é machismo. Homens gays falarem com nojo ou como se fosse algo asqueroso de uma vagina ou algum traço do sexo biológico feminino, é machismo. Mulher lésbica ou bissexual achar que sexo só é sexo se houver penetração em uma vagina, é machismo. Achar que homens gays merecem mais visibilidade em uma das maiores paradas LGBT+s do mundo, é machismo.

Vamos parar de diminuir as outras letras para que os homens gays tenham mais holofotes, chame a Parada LGBT+ de LGBT+. A desconstrução do machismo interno a todos nós é constante, sendo necessário sempre exercitar a empatia e ficar atentos sobre a opressão que fazemos nas outras pessoas. A luta é coletiva e o combate ao machismo precisa acontecer dentro dessa comunidade.

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